Procurar Alegria! por Laura

Depois de um longo, quente e seco Verão, finalmente alguma, benvinda, chuva veio em Setembro. Estivémos fora durante as primeiras chuvas mas houve mais e depois de alguns dias de sol, fomos até uma floresta de bétulas e castanheiros mais adiante na montanha.

Procurar comida é uma das minhas actividades favoritas e do Marko. Conecta-nos de corpo e alma com a terra e a sua generosidade de uma forma muito profunda e imediata. Para o fazermos bem, temos de nos tornar próximos com a floresta e tornarmo-nos sensíveis às mudanças na temperatura do ar e humidade. Temos de aprender a cor, a forma e o hábito das comidas que procuramos. À medida que desenvolvemos este “conhecimento”, cultivamos, simultaneamente, a nossa relação com cada uma das espécies e com a floresta como um todo, até que já não são apenas os sinais físicos que nos orientam mas também outros sinais mais subtis que estão para além da nossa percepção física. Aproximamo-nos do mundo natural e experienciamos as nossas raízes na terra. 

Procurar comida é também um tempo calmo e privilegiado para estar na floresta. É um tempo de desfrutar das vistas, cheiros e sons que são sempre novos, em mudança e acolhedores. 

Encontrar a nossa própria comida também nos conecta com os nossos antepassados e com as formas como eles encontravam comida e o diferente ritmo em que eles viviam as suas vidas; o ritmo das estações e o ritmo do tempo e esforço necessários para encontrar e preparar comida selvagem. Tenho muita consciência que procurar cogumelos, apanhar castanhas e comer vegetais selvagens – embora regularmente – não me dá uma ideia das dificuldades que os meus antepassados tiveram para encontrar e cultivar comida suficiente para sobreviverem. Diariamente, me sinto grata pela minha possibilidade de comprar comida que não tenho de produzir.

Mas também estou grata por me tornar mais consciente do que é necessário para estar suportada pelo que me rodeia – a floresta. Quer seja a lenha, os cogumelos, os vegetais selvagens ou construir materiais, cada vez me sinto mais nutrida por este sitio. Não é apenas uma nutrição física e protecção mas também a nível do espírito e da alma. A floresta nutre-me em todas as dimensões do meu ser e, por isso, estou grata e é a razão pela qual quero trazer pessoas aqui para experimentarem o mesmo.

 

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Eventos

Quinta da Floresta, Benfeita 13 Outubro das 10h às 17h

Devido à grande procura, venho com grande satisfação anunciar uma nova oportunidade esta Primavera de iniciar a aprendizagem da arte e ciência do reconhecimento de plantas, no nosso bonito vale na Serra do Açor.

Quinta da Floresta, Benfeita 2018

Desde há milénios que as pessoas se retiram para locais selvagens para encontrar a paz interior e uma maior perspectiva da Vida. A Natureza, com a sua simplicidade e beleza, sustenta um profundo relaxamento do corpo, mente e alma.

ÚLTIMAS ENTRADAS NO BLOGUE

Muitas das plantas e árvores das quais as abelhas e outros insectos vivem arderam nos incêndios deste Outubro e não florescerão este ano e algumas nem no próximo ano. Apresento-vos as minhas sugestões sobre como ajudar os polinizadores durante estes tempos difíceis.

Deus, como têm sido tempos desoladores. A chuva, que foi tão esperada durante o Verão, é agora abundante e está a arrastar o solo e as pedras das montanhas, levando-os consigo pelos terraços e para os rios.

Sou apaixonado por construir com madeira em toros (troncos?). Conheço poucas coisas que façam sentido de tantas maneiras, quase todas de sentido prático e ecológico – o que no fundo é o mesmo – mas também financeiramente, esteticamente e em termos de resiliência e gestão da floresta.