Natureza, Ligação e Trabalho em Madeira Verde

Ouvi dizer que, quando se está a criar, está-se mais próximo do Criador e, na minha experiência, isso é verdade.

 
Muitas vezes sinto que não entendo porque é que eu ando obcecado em talhar colheres e fazer bancos com as varas de árvores. Estes tempos são de grande crise - não haverá nada mais importante para fazer? Porque é que estou tão tomado por algo tão simples e aparentemente insignificante? Pareço continuar a debater-me por definir ou justificar porque é que eu estou a usar o meu tempo precioso para moldar peças de bancos simples, de maneiras antiquadas com ferramentas manuais do século passado, ainda assim continuo a ser atraído para fazê-lo uma e outra vez.

De certo modo, eu sei que há algo de profundo em fazer este trabalho, que me parece muito relevante e importante neste momento. O que eu estou a falar, prende-se mais com o que este trabalho está a fazer por mim, mais do que o trabalho que eu estou a fazer. Em muito aspectos, não faz sentido gastar horas a trabalhar numa peça simples (a qual, quando terminada, muitas vezes parece que eu deveria tentar novamente!). No entanto, eu simplesmente amo fazer isto.

Possivelmente, está relacionado com a qualidade em todas as fases do trabalho e do processo. Eu amo as antigas ferramentas manuais, a maioria delas são em segunda-mão, algumas passaram de geração em geração e foram usadas por muitas outras mãos antes de mim. De alguma forma, são diferentes das eléctricas. Apenas não tenho a mesma predilecção por ferramentas de potência que tenho por belos machados, afagadeiras de Tanoeiro e formões.

Ao contrário da utilização das ferramentas de potência, não há nenhum ruído nem vibrações de máquinas, apenas espaço para a experiência sensual do trabalho. Não creio que alguma vez me vá fartar do incrível que é o cheiro da madeira verde e, quando parto um novo tronco, admiro sempre a beleza e as cores do veio húmido, é como a abertura de uma flor. Quando cheiro a resina fresca nas minhas mãos, quero apenas inalar profundamente e respirar o aroma da madeira.

Desde há milhares de anos que as pessoas na Europa têm vindo a fazer este tipo de trabalho em madeira, utilizando essencialmente as mesmas ferramentas e técnicas que os marceneiros de madeira verdes utilizam hoje em dia hoje em dia . Há uma relação milenar com as ferramentas e materiais e, sinto que através deste trabalho, posso de alguma forma entrar em contacto com um profundo sentimento de pertença e de estar em casa.

Com este trabalho, experimento um sentido de rectidão que fala da ligação ancestral entre o mundo dos seres vivos à nossa volta e de nós mesmos e eu sinto uma qualidade de cura profunda de um intenso sentimento de desenraizamento e desconecção das minhas próprias raízes "indígenas", a terra e as árvores.

Às vezes, parece-me que se pode aprender mais sobre a madeira, a sua beleza e essência em poucas horas num vício de madeira (‘shaving horse’) do que em anos numa empresa de carpintaria comercial.

E, no final, é claro, há a alegria e a satisfação muito especial para ter em casa um artigo que foi feito com as próprias mãos. Há um reconhecimento diferente e pleno e uma relação com o objeto porque, literalmente, está-se em contacto de onde a madeira veio e como chegou à sua forma final.

Leva tempo para aprender e para fazer as coisas com as próprias mãos e, mesmo que simplifiquemos muito a nossa vida, pode ser demasiado impraticável fazer tudo o que precisamos nós mesmos, mas para mim isso não é o ponto. Eu estou a ser tomado pelo que me está a acontecer, quando eu faço este tipo de trabalho e como este me pode configurar e informar.

Para mim, este tipo de carpintaria significa simplicidade e entrar em contacto com a simplicidade parece-me incrivelmente importante. Traz-me uma espécie de ponto de ancoramento tranquilo, que me ajuda a ficar mais em contacto com o que realmente importa para mim em vez de ficar confuso com cada pensamento que me vem à cabeça. Eu acredito verdadeiramente que este tipo de trabalho pode ser uma maneira poderosa para conectar ao nosso conhecimento mais aprofundado e à forma mais simples de olhar para as coisas, das quais muitos de nós já perdemos o contacto. Então, nesse sentido, acredito que há muito no trabalho em madeira verde, que é parte da revolução que precisamos - para mim é!

 
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Places are strictly limited so book early
info@awakenedforestproject.org
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Devido à grande procura, venho com grande satisfação anunciar uma nova oportunidade esta Primavera de iniciar a aprendizagem da arte e ciência do reconhecimento de plantas, no nosso bonito vale na Serra do Açor.

Quinta da Floresta, Benfeita 2018

Desde há milénios que as pessoas se retiram para locais selvagens para encontrar a paz interior e uma maior perspectiva da Vida. A Natureza, com a sua simplicidade e beleza, sustenta um profundo relaxamento do corpo, mente e alma.

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Sou apaixonado por construir com madeira em toros (troncos?). Conheço poucas coisas que façam sentido de tantas maneiras, quase todas de sentido prático e ecológico – o que no fundo é o mesmo – mas também financeiramente, esteticamente e em termos de resiliência e gestão da floresta.   

Ouvi dizer que, quando se está a criar, está-se mais próximo do Criador e, na minha experiência, isso é verdade.

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